Perguntam-me muitas vezes qual é a técnica de que mais gosto. Costumo responder: “Qualquer uma, desde que não passe demasiado tempo a trabalhar com ela.” Ao fim de algum tempo, qualquer produção longa se torna desgastante e sinto necessidade de alternar entre técnicas; seja na roda de oleiro, por moldes ou a modelação manual.
A minha principal técnica de produção para encomendas é a olaria; pela rapidez com que consigo criar novas formas e pela quantidade de peças que posso ter no forno ao fim de uma semana, é maravilhosa. A produção por moldes fica guardada para projetos em que os detalhes são tão específicos que preciso de replicar a forma e as dimensões com a maior precisão possível. Ao contrário do que muitos possam pensar, trabalhar com moldes não é mais rápido nem uma forma de facilitar o processo; envolve muitas questões técnicas e práticas. Leva muito tempo a desenvolver corretamente.
A modelação manual é algo por que anseio depois de um longo período a produzir peças repetitivas; é a minha forma de escapar a projetos longos e cheios de especificações. Permite-me construir formas com liberdade, com apenas uma ideia vaga no fundo da mente, sabendo que nunca irão sair exatamente como imaginei.
Se, ao trabalhar na roda de oleiro e a fazer moldes, me entusiasma o nível de controlo que tenho, na modelação manual entusiasma-me precisamente o facto de o perder pelo caminho e de o resultado final acabar por ser, de alguma forma, diferente do que antecipei.![]()
Este tipo de jarra, por exemplo, é construída camada a camada, através da técnica de rolos, depositados um após outro, sendo depois aglutinados com gestos e ferramentas. A forma vai-se definindo à medida que avanço; precisa também de algum tempo entre etapas para assentar, respirar e secar, para não colapsar. Tenho de respeitar o ritmo que a própria peça impõe. A forma surge orgânicamente; qualquer pequena inclinação dita o caminho da camada seguinte.
